O Banco Central adotou uma medida decisiva para fechar o cerco contra fraudes que usavam as próprias ferramentas de segurança do Pix para lesar correntistas.
A partir de agora, o prazo para que um recebedor conteste uma solicitação de devolução de dinheiro feita pelo Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, passa de 30 para 80 dias.
A alteração busca proteger quem age de boa-fé e acaba caindo em armadilhas financeiras bem articuladas.
O MED foi criado originalmente como uma rede de proteção para quem sofreu golpes ou invasões de conta.
Por meio dele, a vítima pode solicitar ao seu banco o bloqueio e o retorno do valor transferido indevidamente.
O problema é que criminosos passaram a manipular o próprio funcionamento do sistema para aplicar o que especialistas chamam de golpe da devolução em dobro.
Na prática, a fraude funciona de forma simples e ardilosa.
O golpista realiza uma transferência via Pix para a conta da vítima e entra em contato em seguida, afirmando que cometeu um engano e pedindo o estorno.
A pessoa, na intenção de ajudar, faz a devolução do dinheiro manualmente pelo próprio aplicativo.
Logo após receber o valor de volta, o criminoso aciona o MED no banco dele, alegando falsamente que foi vítima de um golpe.
Se o mecanismo for aprovado, o banco retira o valor da conta do recebedor uma segunda vez, fazendo com que a pessoa perca o dinheiro em dobro.
Com a ampliação do prazo para 80 dias, quem for vítima dessa tática ganha um fôlego precioso.
O período estendido permite que o usuário identifique o prejuízo no extrato com calma, organize comprovantes de conversa, recibos de transferência e acione a instituição financeira para reverter a contestação indevida.
A novidade alinha o período de contestação ao mesmo prazo que as pessoas já tinham para abrir um pedido no MED.
Além disso, a iniciativa fortalece o conjunto de atualizações do MED 2.0, um esforço do Banco Central para permitir o rastreamento do dinheiro através de múltiplas contas sucessivas, dificultando a vida de golpistas que pulverizam os recursos roubados em várias instituições bancárias logo após o crime.